quarta-feira, 5 de agosto de 2015

TPM OU DESORDEM DISFÓRMICA PRÉ MENSTRUAL?

   


    Quem nunca ouviu falar sobre TPM?

     Mesmo entre os homens é um assunto bastante discutido, sendo inclusive muitas vezes, motivo de brincadeira. É ou não é?

     Mas vocês saberiam diferenciar uma simples TPM de uma desordem disfórmica pré menstrual?

   Pesquisas calculam que até 75% das mulheres em idade fértil, experimentam alguns sintomas atribuídos a fase pré menstrual do ciclo.
   
     A TPM se caracteriza por um conjunto de sintomas físicos emocionais e comportamentais cíclicos e recorrentes, que se iniciam na semana anterior a menstruação e aliviam com o início do fluxo. Entre estes sintomas podemos citar: ansiedade, irritabilidade, dores abdominais (cólicas), mastalgia (dor nos seios), dores de cabeça, insônia, aumento do apetite, entre outros.
   
     Porém 3 a 8% das mulheres relatam sintomas pré menstruais muito mais fortes que interferem nas atividades habituais (trabalho, escola, relacionamentos), sendo estes: ansiedade, irritabilidade, tensão severas, quadros depressivos e de alteração de humor. Hoje este conjunto de sintomas emocionais e comportamentais mais severos é chamado de Desordem Disfórmica Pré Menstrual. Entretanto para que o diagnóstico seja realizado, devem ser excluídas outras doenças e devem ser confirmadas diariamente por avaliações de pelo menos dois ciclos menstruais..

     TRATAMENTO

1. TPM

- mudanças alimentares: limitar o uso de chocolate, cafeína, álcool, sódio.
- prática regular de exercícios físicos.

     1.1 Dores abdominais

           - ácido mefenâmico
           - ibuprofeno
           - escopolamina + associações




     1.2 Mastalgia (dores nos seios)

           - bromocriptina












    1.3 Retenção de líquidos

           - espironolactona


 




 





     1.4 Sintomas do humor
           - vitamina B6

     1.5 Sintomas físico e emocionais
           - cálcio

2. DESORDEM DISFÓRMICA PRÉ MENSTRUAL (DDPM)

     2.1 Antidepressivos (tratamento de primeira linha)

           - Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (IRSS): fluoxetina, sertralina, paroxetina.


   

      - Antidepressivos tricíclicos (ATC): clomipramina














     2.2 Agentes hormonais (tratamento de segunda linha)

          - Agonistas GnRH - levam a diminuição do FSH e LG, resultando em níveis diminuídos de estrogênio e progesterona. Podem suprimir temporariamente o ciclo menstrual, promovendo uma espécie de menopausa medicamentosa. O uso a longo prazo gera efeitos colaterais que imitam a menopausa e o potencial para hipoestrogenismo e osteoporose. Ex: buselina (intranasal), leuprolide (injetável)


      2.3. Ovariectomia

             - Linha final de tratamento. Consiste na retirada cirúrgica dos ovários. Promove alívio completo dos sintomas.



Vale ressaltar, para ninguém ficar em pânico, que poucas mulheres apresentam desordem disfórmica pré menstrual, e que o primeiro passo é excluir outras condições médicas, avaliando os sintomas com o acompanhamento médico por 2 ciclos menstruais sucessivos. Consulte sempre seu médico e farmacêutico.

                                                                                    Até a próxima,
                                                                                                            Jessica L. Gehrmann.


REFERÊNCIAS

- BRILHANTE, A.V.M: BILHAR, A.P.M: CARVALHO, C.B: KARLAGE, S.A.L; PEQUENO FILHO, E.P; ROCHA, E.S. Síndrome pré menstrual e síndrome disfórica pré menstrual: aspectos atuais. Femina 2010: 38(7): 373-78.
- PAIVA, S.P.C; PAULA, L.B; NASCIMENTO, L.L.O. Tensão pré menstrual (TPM): uma revisão baseada em evidências científicas. Femina 2010; 38(6): 311-15.
- STEINER, M. - Síndrome pré menstrual e desordem disfórmica pré menstrual: diretrizes para controle. J Pschyatry Neurosci 2000; 25(5): 459-68.
    



domingo, 7 de dezembro de 2014

TABAGISMO

   



 Atualmente o tabagismo é considerado um problema de saúde pública em razão da alta prevalência de fumantes e da mortalidade decorrentes das doenças relacionadas ao tabaco. Caracteriza-se pela dependência física e psicológica do consumo de nicotina, uma das substância presentes no tabaco. 

     Hoje existem mais de 50 doenças relacionadas ao tabagismo atingindo principalmente o aparelho respiratório, cardiovascular, digestivo, geniturinário, neoplasia malignas, entre outros.

     O início do consumo do tabaco costuma ocorrer em sua grande maioria, na adolescência, entre 13 e 14 anos de idade. O consumo mais comum se dá por meio de cigarros, porém pode ocorrer pelo uso de cachimbo, charuto, rapé ou tabaco de mascar. 
     Além dos apontados há ainda a possibilidade do uso passivo, os que costumamos chamar de fumantes passivos.

     O que é um fumante passivo?

    
A fumaça produzida pelo consumo de tabaco possui várias substâncias tóxicas entre elas a nicotina, o monóxido de carbono e o alcatrão. O fumante passivo é aquele indivíduo que inala essa fumaça proveniente da queima de todo tipo de tabaco, involuntariamente. Desse modo este indivíduo também está tendo sua saúde exposta a riscos. O tabagismo passivo é considerado a terceira causa de morte evitável do mundo.



     Com o objetivo de combater o tabagismo o Ministério da Saúde apresenta o Programa Nacional de Controle do Tabagismo em parceria com o INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Dentre as ações que integram este programa estão a promoção de ambientes livres de fumo e projetos para a cessão de fumar, entre muitos outros. Hoje vamos conhecer um pouco sobre o tratamento farmacológico do tabagismo.

     O tratamento farmacológico é uma estratégia para aumentar a chance de sucesso porém a motivação pessoal é a chave para o sucesso. Pode ser utilizado também para o tratamento de sintomas de abstinência.

     1. Terapia de Reposição  de Nicotina
     Auxiliar na cessão do tabagismo e no controle de sintomas de fissura. Disponível no Brasil na forma de adesivos transdérmicos, gomas de mascar e pastilhas.

  •  Adesivos Transdérmicos

     Encontrados nas concentrações de 7mg 14mg e 21mg. Deve ser utilizado um adesivo ao dia sendo a troca realizada no período da manhã.
    Duração média do tratamento de 8 a 12 semana podendo chegar até a 6 meses.
    As doses são definidas para cada pessoa de acordo com a média de cigarros fumados por dia. A redução da dose ocorre de maneira gradual. A primeira redução é sugerida após 4 semanas e posteriormente a cada 2 semanas.




  • Gomas de mascar
     Disponível nas doses de 2mg e 4mg, com sabores como menta e frutas.  Duração média do tratamento de 12 semanas com redução gradual de doses. Não deve ser utilizado mais de 24 gomas por dia. A forma correta de uso está na utilização da goma sempre que sentir a necessidade de fumar.
    Mascar a goma até o aparecimento de um forte sabor, deve-se então parar a mastigação e deixar o tablete repousar entre a bochecha e gengiva. Voltar a mascar assim que este sabor desaparecer, repetindo o processo por 30 minutos.



  • Pastilhas
     Disponível nas doses de 2mg e 4mg também com sabores. A liberação de nicotina ocorre de forma mais rápida que nas gomas de mascar. Duração do tratamento também em média de 12 semanas com redução gradual das doses. Pode ser utilizado de 4 a 20 pastilhas por dia conforme a necessidade.

     2. Bupropiona


     Antidepressivo atípico de ação lenta, atua inibindo a receptação de dopamina e noradrenalina e é antagonista de receptores de nicotina o que leva a redução da compulsão pelo cigarro. O tratamento inicia-se 1 semana antes de parar de fumar para que o medicamento possa atingir um estado de equilíbrio. O tempo de tratamento é em torno de 12 semanas podendo ser estendido para 6 meses. A dose máxima recomendada é de 300mg ao dia. Contra indicado para pessoas que possuem epilepsia.




     3. Vareniclina

   



  Agonista parcial de receptores de nicotina, reduzindo fissura e demais sintomas de abstinência. Utilizar 1 a 2 semanas antes de parar de fumar. Tempo médio de tratamento de 3 a 6 meses.  A associação com terapia de reposição de nicotina não é indicada.

   




  4. Nortriptilina e Clonidina


     Terapia farmacológica de segunda linha. Utilizada para pessoas que não possam utilizar ou que não se adaptaram a terapia de primeira linha.
    A nortriptilina pertence a classe do antidepressivos tricíclicos, bloqueia a recaptação de serotonina e noradrenalina.Deve-se parar de fumar de 10 a 28 dias após iniciar o tratamento.
    A clonidina é um agonista pós sináptico com ação alfa2-noradrenérgica. Não se conhece completamente sua ação na cessão do tabagismo. Parar de fumar no 3 dia apos o início do tratamento. Vale ressaltar que a retirada da medicação deve ser sempre gradual.



   
  Como mostra muito bem essa imagem em primeiro lugar é preciso querer. Tomar a iniciativa e buscar ajuda. Peça o apoio de seus amigos e familiares. Livre-se de objetos que o fazem lembrar-se do hábito de fumar, como por exemplo isqueiro e cinzeiros. Procure informações com profissionais da saúde em qualquer dúvida ou situação. Sua saúde agradece e muito. Você consegue!!!

   
Espero que tenham gostado e talvez incentivado algumas pessoas que possuem esse hábito.

Obrigada,
Jessica L. Gehrmann. 











domingo, 21 de setembro de 2014

TUBERCULOSE, SAIBA UM POUCO MAIS!

    

     
Embora atualmente não se ouça muito falar sobre esta doença ela ainda permanece sendo um problema de saúde mundialmente importante. O Brasil é um do países priorizados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) no combate a esta doença.
     A tuberculose é uma doença infeciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis de evolução crônica.  A tuberculose é transmitida por via aérea em praticamente a totalidade dos casos. A infecção ocorre a partir da inalação de gotículas contendo bacilos expelidos pela tosse, fala ou espirro do doente com tuberculose ativa de vias respiratórias. Afeta principalmente os pulmões, porém pode afetar outros órgãos do corpo como ossos, rins e meninges.
    

     A forma de manifestação da doenças é dividida em duas categorias sendo elas Tuberculose pulmonar e Tuberculose extrapulmonar:

Tuberculose Pulmonar     Os sintomas clássicos da tuberculose  pulmonar são: tosse persistente por 3 semanas ou mais, produtiva ou não (com muco e eventualmente sangue), febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento.
     Pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum na criança maior, adolescente e adulto jovem.
    A febre vespertina, sem calafrios, não costuma ultrapassar os 38,5º C. A sudorese noturna e a anorexia são comuns.
     A apresentação da tuberculose na forma pulmonar, além de ser mais frequente, é também a mais relevante para a saúde pública, pois é a forma pulmonar bacilífera, a responsável pela manutenção da cadeia de transmissão da doença.
    A busca ativa dos sintomáticos respiratórios é a principal estratégia para o controle da doença, uma vez que permite a detecção precoce das formas pulmonares. Consiste em uma atividade de saúde pública orientada a identificar precocemente pessoas com tosse igual ou superior a três semanas, consideradas com suspeita de tuberculose pulmonar.

Tuberculose extrapulmonar

     As formas extrapulmonares da tuberculose têm seus sinais e sintomas dependentes dos órgãos e/ou sistemas acometidos.
    Sua ocorrência aumenta entre pacientes com imunocomprometimento grave, principalmente naqueles com AIDS.


DIAGNÓSTICO


Baciloscopia do escarro








A baciloscopia direta do escarro é o método principal no diagnóstico e para o controle de tratamento da tuberculose pulmonar por permitir a descoberta das fontes de infecção, ou seja, os casos bacilíferos.
A boa amostra de escarro é a proveniente da árvore brônquica, obtida após esforço da tosse (expectoração espontânea).


Coleta de Escarro e Cuidados

     Orientação ao paciente:

     - Ao despertar pela manhã, lavar bem a boca, inspirar profundamente, prender a respiração por um instante e escarrar após forçar a tosse. Repetir essa operação até obter três eliminações de escarro, evitando que esse escorra pela parede externa do pote.

     - Informar que o pote deve ser tampado e colocado em um saco plástico com a tampa para cima, cuidando para que permaneça nessa posição.

     - Orientar o paciente a lavar as mãos.


Radiológico




     A radiografia de tórax é método diagnóstico de grande importância na investigação da tuberculose.
    
 Diferentes achados radiológicos apontam para suspeita de doença em atividade ou doença no passado, além do tipo e extensão do comprometimento pulmonar.






Prova Tuberculínica (PT)




    A prova tuberculínica consiste na inoculação intradérmica de um derivado protéico do M. tuberculosis para medir a resposta imune celular a estes antígenos

     



 Observação muito importante é que os familiares e pessoas do convívio devem também fazer os exames para detecção precoce da doença.




TRATAMENTO

     Assim que haja a detecção de um caso novo de tuberculose o paciente deve utilizar máscara por 15 dias após o início do tratamento.


1. Esquema Básico


     Indicado para casos novos de todas as formas de tuberculose pulmonar ou extrapulmonar (exceto meningoencefalite).

     O tratamento consiste em 2 fases:
     - Fase Intensiva: Consiste em 2 meses de tratamento com o esquema RHZE (Rifanpicina, Isoniazida,Pirazinamida e Etambucol) A quantidade de comprimidos depende do peso do paciente.
     - Fase de Manutenção: Consiste em 4 meses de tratamento com o esquema RH (Rifampicina + Isoniazida). A quantidade de comprimidos depende do peso do paciente.



2. Esquema para Meningoencefalite

     Também dividida em 2 fases de tratamento com o mesmo esquema medicamentoso porém a fase de manutenção possui uma duração de 7 meses.
     A diferença também consiste na associação do tratamento com a utilização de um corticosteroide como por exemplo a prednisona por 4 semanas ou dexametasona intravenoso nos casos mais graves por 4 a 8 semanas, com redução gradual da dose.


     Existem ainda esquemas de tratamento diferenciado para casos de monoresistência ou multirresistência assim como para pessoas que possuem alterações hepáticas ou intolerância grave a algum dos medicamentos. Se alguém tiver interesse em conhecer estes esquemas por favor deixem nos comentários que faço um novo post sobre eles. 

     É comum durante este tratamento o aparecimento de alguns efeitos colaterais:
     - A rifampicina causa lágrima, suor e urina de coloração alaranjada. No início de tratamento recomenda-se o monitoramento da glicemia, pressão arterial e colesterolemia especialmente em pessoas que possuem diabete mellito, hipertensão arterial sistêmica ou hipercolesterolemia.
      - A pirazinamida pode provocar náusea e vômito, pode-se então fazer uso de um medicamento sintomático como por exemplo a metoclopramida (converse sempre com seu médico e farmacêutico antes de utilizar).Além disso causa fotossensibilidade por esse motivo é de extrema importância o uso de protetores solares. Artralgia não gotosa também pode ocorrer nesse caso juntamente com o aconselhamento médico e farmacêutico pode-se fazer uso de AAS ou um outro anti-inflamatório não hormonal.
     - A etambucol pode provocar náusea e vômito, pode-se então fazer uso de um medicamento sintomático como por exemplo a metoclopramida (converse sempre com seu médico e farmacêutico antes de utilizar).

     É extremamente importante o uso diário deste medicamento para que o tratamento seja bem sucedido, por este motivo hoje estamos utilizando como estratégia o Tratamento Diretamente Observado (TDO).


TDO - TRATAMENTO DIRETAMENTO OBSERVADO


    
O tratamento diretamente observado constitui uma mudanca na forma de administrar os medicamentos, porem sem mudancas no esquema terapêutico: o profissional treinado passa observar a tomada do medicamento do paciente desde o inicio do tratamento até a sua cura a fim de evitar o abandono do tratamento.
    A escolha da modalidade de TDO a ser adotada deve ser decidida conjuntamente entre a equipe de saude e o paciente. É desejável que a tomada observada seja diária, de segunda a sexta- -feira. No entanto, se para o paciente a opção de três vezes por semana for a unica possível, este deve saber que o medicamento deve ser tomado TODOS os dias mesmo os que não seja observado.


     Bom pessoal espero que tenham gostado, resumi um pouco sobre o que consiste esta doença e como ocorre o tratamento. Não há motivo para desespero pois existe tratamento e apesar de longo ele deve ser cumprido rigidamente. Até a próxima!

Jessica Laís Gehrmann