sábado, 5 de dezembro de 2015

Diarreia aguda

   
Quem nunca passou por esta situação? E tenho certeza que não apenas uma vez! Porém apesar de corriqueira ela merece a nossa atenção.

A diarreia caracteriza-se pela perda excessiva de água e eletrólitos pelas fezes, clinicamente observada pelo aumento do número de evacuações e/ou pela perda de consistência das fezes. Pode apresentar ainda, produtos patológicos como: muco, pus, sangue ou gordura. É definida como aguda quando possui duração inferior a 14 dias. 

 
  As causas podem ser agrupadas em 4 categorias:

     1 - bacterianas;
  • bactéria invasiva: Principais agentes são Escherichia coli, Shigella, Salmonella, Yersinia enterocolítica e Campylobacter.
  • bactéria toxicogênia (produtoras de toxinas): Principais agentes são Escherichia coli enterotoxigênica e Vibrio cholerae.

     2- virais;
  • Geralmente causada por rotavírus.

     3 - parasitárias;
  • Causada principalmente por protozoários como Entamoeba histolítica e Giardia lamblia.

     4 - não infecciosas;

     Vale ressaltar que a história clínica é muito importante antes que qualquer medida seja tomada. É importante para uma conduta mais precisa, observar se houve viagem recente, alergias a alimentos, outras doenças e uso de medicamentos.

     Porém para qualquer um dos casos, independente da causa, uma medida extremamente importante se faz necessária. Terapia de reidratação oral. Isso mesmo aquele velho sorinho caseiro, hoje em dia também fabricado pelas indústrias farmacêuticas. O objetivo principal é prevenir a desidratação que se caracteriza por pele e mucosas secas, hipotensão (pressão arterial baixa) e taquicardia.

     Outros medicamentos utilizados quando da exclusão de outras doenças são:

* PROBIOTICOS

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     São micro-organismos vivos que colonizam e se replicam no trato gastro-intestinas humano promovendo um efeito benéfico. Competem com micro-organismos maléficos, inativam toxinas bacterianas, inibem ligação de toxinas com receptores intestinais, possuem efeito antissecretório e estimulam o sistema imune.


* ANTIBIÓTICOS
 

 Serão recomendados pelos médicos em casos específicos. Os mais utilizados são metronidazol, sulfametoxazol + trimetoprima, ampicilina, eritromicina, amoxicilina.

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* ANTIPARASITÁRIOS/ ANTI-HELMÍNTICOS

   
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     Utilizados quando detecta-se a presença de um parasita. Os mais comuns são albendazol, tinidazol, metronidazol.
        Nestes casos é muito importante falar sobre prevenção, que consiste basicamente em medidas de higiene: lavar bem os alimentos, evitar levar a mão a boca sem antes higienizá-la, consumir água filtrada ou fervida, evitar andar descalço. E ainda exigir saneamento ambiental e vigilância sanitária


     Muitas pessoas vão a farmácia a procura de um medicamento para "cortar" a diarreia. Cuidado, nem sempre esta é uma boa alternativa. A loperamida (Imosec) só é indicada para diarreia aguda em casos não infecciosos. Como a maioria dos casos de diarreia aguda tem resolução espontânea em 2 a 5 dias prefira não usá-la sem a indicação de um médico.

 
      Espero ter conseguido esclarecer as dúvidas. Não deixe de comentar! Beijos e até a próxima.

                                                                                                                             Jessica Laís Gehrmann




REFERÊNCIAS

BARBUTI, R.C. Diarréias agudas. Aspectos clínicos, etiológicos e terapêuticos . Disponível em moreirajr.com.br

MORAES, A.C. CASTRO, F.M.M. Diarreia Aguda. JBM, vol 102 n. 2 p 21 - 28. mar/abril;2014.

SAAD, S.M.I. Probióticos e pré bióticos: o estado da arte. Rev brasileira de ciências farmacêuticas col 42, n.1. jan/março; 2016



quarta-feira, 5 de agosto de 2015

TPM OU DESORDEM DISFÓRMICA PRÉ MENSTRUAL?

   


    Quem nunca ouviu falar sobre TPM?

     Mesmo entre os homens é um assunto bastante discutido, sendo inclusive muitas vezes, motivo de brincadeira. É ou não é?

     Mas vocês saberiam diferenciar uma simples TPM de uma desordem disfórmica pré menstrual?

   Pesquisas calculam que até 75% das mulheres em idade fértil, experimentam alguns sintomas atribuídos a fase pré menstrual do ciclo.
   
     A TPM se caracteriza por um conjunto de sintomas físicos emocionais e comportamentais cíclicos e recorrentes, que se iniciam na semana anterior a menstruação e aliviam com o início do fluxo. Entre estes sintomas podemos citar: ansiedade, irritabilidade, dores abdominais (cólicas), mastalgia (dor nos seios), dores de cabeça, insônia, aumento do apetite, entre outros.
   
     Porém 3 a 8% das mulheres relatam sintomas pré menstruais muito mais fortes que interferem nas atividades habituais (trabalho, escola, relacionamentos), sendo estes: ansiedade, irritabilidade, tensão severas, quadros depressivos e de alteração de humor. Hoje este conjunto de sintomas emocionais e comportamentais mais severos é chamado de Desordem Disfórmica Pré Menstrual. Entretanto para que o diagnóstico seja realizado, devem ser excluídas outras doenças e devem ser confirmadas diariamente por avaliações de pelo menos dois ciclos menstruais..

     TRATAMENTO

1. TPM

- mudanças alimentares: limitar o uso de chocolate, cafeína, álcool, sódio.
- prática regular de exercícios físicos.

     1.1 Dores abdominais

           - ácido mefenâmico
           - ibuprofeno
           - escopolamina + associações




     1.2 Mastalgia (dores nos seios)

           - bromocriptina












    1.3 Retenção de líquidos

           - espironolactona


 




 





     1.4 Sintomas do humor
           - vitamina B6

     1.5 Sintomas físico e emocionais
           - cálcio

2. DESORDEM DISFÓRMICA PRÉ MENSTRUAL (DDPM)

     2.1 Antidepressivos (tratamento de primeira linha)

           - Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (IRSS): fluoxetina, sertralina, paroxetina.


   

      - Antidepressivos tricíclicos (ATC): clomipramina














     2.2 Agentes hormonais (tratamento de segunda linha)

          - Agonistas GnRH - levam a diminuição do FSH e LG, resultando em níveis diminuídos de estrogênio e progesterona. Podem suprimir temporariamente o ciclo menstrual, promovendo uma espécie de menopausa medicamentosa. O uso a longo prazo gera efeitos colaterais que imitam a menopausa e o potencial para hipoestrogenismo e osteoporose. Ex: buselina (intranasal), leuprolide (injetável)


      2.3. Ovariectomia

             - Linha final de tratamento. Consiste na retirada cirúrgica dos ovários. Promove alívio completo dos sintomas.



Vale ressaltar, para ninguém ficar em pânico, que poucas mulheres apresentam desordem disfórmica pré menstrual, e que o primeiro passo é excluir outras condições médicas, avaliando os sintomas com o acompanhamento médico por 2 ciclos menstruais sucessivos. Consulte sempre seu médico e farmacêutico.

                                                                                    Até a próxima,
                                                                                                            Jessica L. Gehrmann.


REFERÊNCIAS

- BRILHANTE, A.V.M: BILHAR, A.P.M: CARVALHO, C.B: KARLAGE, S.A.L; PEQUENO FILHO, E.P; ROCHA, E.S. Síndrome pré menstrual e síndrome disfórica pré menstrual: aspectos atuais. Femina 2010: 38(7): 373-78.
- PAIVA, S.P.C; PAULA, L.B; NASCIMENTO, L.L.O. Tensão pré menstrual (TPM): uma revisão baseada em evidências científicas. Femina 2010; 38(6): 311-15.
- STEINER, M. - Síndrome pré menstrual e desordem disfórmica pré menstrual: diretrizes para controle. J Pschyatry Neurosci 2000; 25(5): 459-68.
    



domingo, 7 de dezembro de 2014

TABAGISMO

   



 Atualmente o tabagismo é considerado um problema de saúde pública em razão da alta prevalência de fumantes e da mortalidade decorrentes das doenças relacionadas ao tabaco. Caracteriza-se pela dependência física e psicológica do consumo de nicotina, uma das substância presentes no tabaco. 

     Hoje existem mais de 50 doenças relacionadas ao tabagismo atingindo principalmente o aparelho respiratório, cardiovascular, digestivo, geniturinário, neoplasia malignas, entre outros.

     O início do consumo do tabaco costuma ocorrer em sua grande maioria, na adolescência, entre 13 e 14 anos de idade. O consumo mais comum se dá por meio de cigarros, porém pode ocorrer pelo uso de cachimbo, charuto, rapé ou tabaco de mascar. 
     Além dos apontados há ainda a possibilidade do uso passivo, os que costumamos chamar de fumantes passivos.

     O que é um fumante passivo?

    
A fumaça produzida pelo consumo de tabaco possui várias substâncias tóxicas entre elas a nicotina, o monóxido de carbono e o alcatrão. O fumante passivo é aquele indivíduo que inala essa fumaça proveniente da queima de todo tipo de tabaco, involuntariamente. Desse modo este indivíduo também está tendo sua saúde exposta a riscos. O tabagismo passivo é considerado a terceira causa de morte evitável do mundo.



     Com o objetivo de combater o tabagismo o Ministério da Saúde apresenta o Programa Nacional de Controle do Tabagismo em parceria com o INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Dentre as ações que integram este programa estão a promoção de ambientes livres de fumo e projetos para a cessão de fumar, entre muitos outros. Hoje vamos conhecer um pouco sobre o tratamento farmacológico do tabagismo.

     O tratamento farmacológico é uma estratégia para aumentar a chance de sucesso porém a motivação pessoal é a chave para o sucesso. Pode ser utilizado também para o tratamento de sintomas de abstinência.

     1. Terapia de Reposição  de Nicotina
     Auxiliar na cessão do tabagismo e no controle de sintomas de fissura. Disponível no Brasil na forma de adesivos transdérmicos, gomas de mascar e pastilhas.

  •  Adesivos Transdérmicos

     Encontrados nas concentrações de 7mg 14mg e 21mg. Deve ser utilizado um adesivo ao dia sendo a troca realizada no período da manhã.
    Duração média do tratamento de 8 a 12 semana podendo chegar até a 6 meses.
    As doses são definidas para cada pessoa de acordo com a média de cigarros fumados por dia. A redução da dose ocorre de maneira gradual. A primeira redução é sugerida após 4 semanas e posteriormente a cada 2 semanas.




  • Gomas de mascar
     Disponível nas doses de 2mg e 4mg, com sabores como menta e frutas.  Duração média do tratamento de 12 semanas com redução gradual de doses. Não deve ser utilizado mais de 24 gomas por dia. A forma correta de uso está na utilização da goma sempre que sentir a necessidade de fumar.
    Mascar a goma até o aparecimento de um forte sabor, deve-se então parar a mastigação e deixar o tablete repousar entre a bochecha e gengiva. Voltar a mascar assim que este sabor desaparecer, repetindo o processo por 30 minutos.



  • Pastilhas
     Disponível nas doses de 2mg e 4mg também com sabores. A liberação de nicotina ocorre de forma mais rápida que nas gomas de mascar. Duração do tratamento também em média de 12 semanas com redução gradual das doses. Pode ser utilizado de 4 a 20 pastilhas por dia conforme a necessidade.

     2. Bupropiona


     Antidepressivo atípico de ação lenta, atua inibindo a receptação de dopamina e noradrenalina e é antagonista de receptores de nicotina o que leva a redução da compulsão pelo cigarro. O tratamento inicia-se 1 semana antes de parar de fumar para que o medicamento possa atingir um estado de equilíbrio. O tempo de tratamento é em torno de 12 semanas podendo ser estendido para 6 meses. A dose máxima recomendada é de 300mg ao dia. Contra indicado para pessoas que possuem epilepsia.




     3. Vareniclina

   



  Agonista parcial de receptores de nicotina, reduzindo fissura e demais sintomas de abstinência. Utilizar 1 a 2 semanas antes de parar de fumar. Tempo médio de tratamento de 3 a 6 meses.  A associação com terapia de reposição de nicotina não é indicada.

   




  4. Nortriptilina e Clonidina


     Terapia farmacológica de segunda linha. Utilizada para pessoas que não possam utilizar ou que não se adaptaram a terapia de primeira linha.
    A nortriptilina pertence a classe do antidepressivos tricíclicos, bloqueia a recaptação de serotonina e noradrenalina.Deve-se parar de fumar de 10 a 28 dias após iniciar o tratamento.
    A clonidina é um agonista pós sináptico com ação alfa2-noradrenérgica. Não se conhece completamente sua ação na cessão do tabagismo. Parar de fumar no 3 dia apos o início do tratamento. Vale ressaltar que a retirada da medicação deve ser sempre gradual.



   
  Como mostra muito bem essa imagem em primeiro lugar é preciso querer. Tomar a iniciativa e buscar ajuda. Peça o apoio de seus amigos e familiares. Livre-se de objetos que o fazem lembrar-se do hábito de fumar, como por exemplo isqueiro e cinzeiros. Procure informações com profissionais da saúde em qualquer dúvida ou situação. Sua saúde agradece e muito. Você consegue!!!

   
Espero que tenham gostado e talvez incentivado algumas pessoas que possuem esse hábito.

Obrigada,
Jessica L. Gehrmann.