terça-feira, 28 de julho de 2020

Suplementação de ferro em bebês

          
    Hoje vamos conversar um pouquinho sobre a importância da suplementação de ferro em bebês e crianças.

    O ferro é o metal mais presente no corpo humano e participa de processos de funções respiratórias, produção de energia, síntese de DNA e proliferação celular. É um elemento essencial para o sistema nervoso central, principalmente durante as fases críticas do desenvolvimento cerebral, no que se refere a velocidade de processamento cerebral, memória e aprendizado. 

   O que é anemia?

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) é a condição na qual a concentração sanguínea de hemoglobina se encontra abaixo dos valores esperados, tornando-se insuficiente para atender as necessidades fisiológicas exigidas de acordo com idade, sexo, gestação e altitude. De origem multifatorial, pode ser ocasionada pela deficiência de ferro e/ou diversos outros micronutrientes, por perdas sanguíneas, processos infeciosos e patológicos concomitantes, uso de medicações específicas que impeçam ou prejudiquem a absorção de ferro.

    A anemia por deficiência de ferro é a mais comum das carências nutricionais, com maior prevalência nos países em desenvolvimento. Aquelas em idade entre 6 - 24 meses apresentam um risco duas vezes maior para desenvolver a doença.

    A anemia ferropriva tem efeito no crescimento e desenvolvimento de populações em risco, por afetar grupos em idade de crescimento e comprometer o desenvolvimento cerebral. Desde o período pré natal, tem repercussões importantes e deletérias de longo prazo no desenvolvimento de habilidades cognitivas, comportamentais, linguagem e capacidades motoras das crianças. A carência de ferro na infância também predispõem a cáries dentárias, menor discriminação e identificação de odores em comparação aos grupos controle, alterações na imunidade não específica, paladar e apetite, resposta alterada ao estresse metabólico e desenvolvimento audiovisual.

    Melhor prevenir do que remediar!

    Novas recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria indicam suplementação preventiva para recém nascidos a termo, de peso adequado para idade gestacional, de 1mg/kg de peso/ dia, a partir do 3º mês (independente se aleitamento exclusivo, misto ou somente fórmula infantil) até o 24º mês de vida.
    
    Aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, mantendo-se até os dois anos de idade ou mais.    

    Introdução alimentar adequada a partir do 6º mês de vida, por meio de alimentos que aumentem a biodisponibilidade e absorção do ferro.
       
    Contra indicado a oferta de leite de vaca in natura, não processado, independente de ser em pó ou líquido, antes dos 12 meses de idade. 

    Existem várias formulações com ferro, converse com seu pediatra e farmacêutico para definição da melhor opção para a sua realidade. Não deixe de fazer a suplementação de ferro para seu filho.


REFERÊNCIAS:

SOARES, Ana Claudia C. V., PARK, Miriam V. Flor. - Suplementação de ferro: quando e como? Boletim da Sociedade de Pediatria de São Paulo - Pediatra atualize-se/Ano4nº5 p 6  e 7;

Sociedade Brasileira de Pediatria - Consenso sobre anemia ferropriva: mais que uma doença, uma urgência médica! - Diretrizes nº 2 / junho / 2018
 

terça-feira, 14 de julho de 2020

Losec mups



Hoje vim contar um pouco da minha experiência com este medicamento. Já falamos um pouco sobre ele no post sobre refluxo.

A substância ativa deste medicamento é o omeprazol, uma base fraca, lipofílica, fotossensível de gosto muito amargo e ácido lábil. 

Por todos esses motivos são apresentados nas formulações farmacêuticas em grânulos ou comprimidos revestidos por invólucro ácido resistente.

Como administrar esse medicamento ao bebê?

Realmente não é uma tarefa fácil e acredito muito que a resposta é variável, pois irá depender de bebê para bebê. Mas algumas orientações são importantes.

Primeiro o comprimido deve ser deixado em um pouco de água para dissolver, porque obviamente o bebê não irá conseguir engoli-lo inteiro. Esse processo de dissolução não demora muito, geralmente em 1 ou 2 minutos já está disperso. 

Segundo, procure administrá-lo em um horário que dê para esperar pelo menos 40 minutos para a mamada. O ideal é esse medicamento ser administrado em jejum, porém também sabemos que bebês se alimentam com frequência então temos que adaptar essa orientação.

Com meu filho testamos alguns modos de administrar e o que mais deu certo foi na colher. Deixo o comprimido em um copinho plastico com aproximadamente 3 mL dispersando. E com uma colher pequena vou administrando aos poucos. Tentamos na seringa e naqueles utensílios próprios para administrar medicamentos porém não deu muito certo. O melhor resultado mesmo foi com a colher.

Um ponto importante sobre este medicamento é que a retirada deve ser gradual, a fim de evitar a ocorrência de efeito rebote. O uso prolongado demanda monitoramento do níveis de vitamina B12 e ferro. 

Notei que o medicamento auxiliou na redução do desconforto provocado pelo refluxo. Hoje felizmente já estamos na fase de redução gradual da dose. 

Espero que tenham gostado desse conteúdo e até a próxima.


terça-feira, 30 de junho de 2020

Refluxo Fisiológico X Doença do Refluxo Gastroesofágico

     O que é Refluxo Gastroesofágico?

     Consiste na passagem retrógrada (sentido oposto ao que deveria seguir) do conteúdo gástrico para o esôfago, algumas vezes atinge faringe e boca.

     No recém nascido esse processo geralmente é benigno, parte da fisiologia e maturação gastrointestinal e por isso chamado de Refluxo Fisiológico. Ou seja, não compromete o ganho de peso e o desenvolvimento. De modo geral acaba antes do final do primeiro ano.

     Já ouviram falar no termo "Regurgitador feliz?

     Trata-se do bebê que apresenta regurgitações sem comprometimento do ganho de peso e crescimento. O bebê não apresenta dor, sofrimento ou desconforto por ter regurgitado.

     O que posso fazer para o refluxo fisiológico do Recém Nascido?

1. Manter o recém nascido em posição vertical por 20 - 30 minutos após a mamada a fim de facilitar a eructação e o esvaziamento gástrico. Resumindo COLOCAR O BEBÊ PARA ARROTAR;

2. Colocar o bebê para dormir de barriga para cima com elevação da cabeceira a 30 - 40 graus. Aqui entra o que falei sobre o uso da rampa antirrefluxo. Ajuda muito mesmo, tanto no berço como no trocador.

3. Para bebês em aleitamento materno rever a técnica de amamentação, reduzindo a possibilidade de ingestão de ar. Se for o caso é interessante o aconselhamento com uma consultora de amamentação. Para bebês em uso de fórmula usar mamadeiras antirrefluxo com o objetivo de diminuir a ingestão de ar. Pode ser recomendado também o fracionamento da dieta, ou seja, um volume menor por mamada porém com mamadas mais frequentes (intervalos menores entre mamadas). E nos casos mais complexos pode ser indicado a utilização de fórmulas espessadas.

4. Evitar exposição ao fumo.


     Por que o cigarro contribui para a piora do refluxo gastroesofágico?

     A nicotina diminui a pressão no esfincter esofágico inferior  do bebê facilitando a ocorrência de maior número de episódios de refluxo. 

     Importante que mesmo que seja um processo fisiológico do recém nascido este sempre deve ser acompanhado pelo pediatra que fará as recomendações de maneira específica para cada criança.

     E a Doença do Refluxo Gastroesofágico, como saber diferenciar?

     A doença do refluxo gastroesofágico ocasiona vômitos intensos, dificuldades durante as mamadas, deficit de ganho de peso, choro, irritabilidade, alterações no sono entre outros.
   
      É importante também descartar a possibilidade de alergia a proteína do leite de vaca.
    
     Aqui também cabem aquelas medidas passadas para o refluxo fisiológico, ajudam muito! Porém o uso de medicamentos pode ser necessário. Repetindo, sempre com o acompanhamento de profissionais. Nunca realizem a auto-medicação. 

     Desse modo temos:

1. Inibidores ou neutralizadores da secreção ácida: 
     
     
Aqui entram duas classes:



👉 antagonistas dos receptores da histamina H2

    



 Representada principalmente pela Ranitidina. Deve-se estar atento para o efeito de taquifilaxia, que consiste na perda de ação com o transcorrer do tempo e onde o aumento da dose não melhora a eficácia do tratamento. 







👉inibidores da bomba de prótons



   
Um exemplo é o omeprazol. São em geral primeira escolha para o tratamento, porém apresentam como desvantagem a forma farmacêutica e o custo. Com relação a forma farmacêutica são encontrados como comprimidos dispersíveis por questões de estabilidade. A retirada desse medicamento deve ser sempre de maneira gradual, a fim de evitar efeito rebote.





2. Procinéticos

     De modo geral aumentam o tônus do esfincter esofágico inferior e promovem aceleração do esvaziamento gástrico. Não são muito recomendados na rotina devido a seus efeitos colaterais.

     Bromoprida / Metoclopramida: podem provocar liberações extrapiramidais. 

     Domperidona: mais utilizada em casos difíceis por pouco tempo.





     Em casos mais severos pode ser necessário intervenções cirúrgicas. O acompanhamento frequente do bebê é extremamente importante. Não deixe de levar seu filho ao pediatra.